
Por vezes, só me apetece gritar, atirar o telemóvel contra a parede, estrebuchar, puxar os cabelos, pontapear tudo o que esteja à minha frente. Pode ser que assim percebas que gosto de ti e que, sim, preciso que demonstres que também gostes de mim.
Não sou tua… já fui e sempre serei, sempre terei uma parte de ti em mim, assim como sempre terás uma parte de mim em ti… mas não sou de facto tua. Não me sinto como tal… ou melhor, só me sinto tua e me abandono ao teu sentimento quando ouço a tua voz dizer que és meu… o meu único… aí, eu sou tua e tu és meu e o meu coração enche-se de alegria. Mas apenas a tua voz é doce, porque as tuas palavras… essas, por vezes, são frias, vazias, desprovidas de qualquer sentimento… e nesses momentos sinto-me pequenina, bem pequenina no alto do meu 1,74cm, sinto-me um pequeno liliputiano enquanto tu, Gulliver, me olhas lá de cima com desdém e uma certa indiferença. E é essa indiferença que detesto, realmente abomino! Faz-me sentir pequena, apagada, sem importância alguma para ti, apenas mais uma entre tantas… Não quero ser como as outras, percebes? Aos teus olhos quero ser especial, única, a tua princesa, como me chamas às vezes. Não preciso ser a primeira coisa que pensas quando acordas nem a última quando vais dormir, apenas quero que penses em mim de vez em quando ao longo do dia e que o manifestes de maneira afável… «Injusta», dirias agora. Sim, eu sei que sou, porque, afinal, tu fazes exactamente isso e eu adoro que o faças, adoro ouvir o som do teu beijo através do telefone ou simplesmente ler no pequeno ecrã do telemóvel um «Beijinho, minha princesa» que me envias, mas… simplesmente não me é suficiente, sabe-me a pouco… quero mais do que apenas beijinhos, quero substância, algo que preencha o que os beijinhos não conseguem ocupar… quero o teu calor, o teu toque, o teu cheiro, o teu sabor, quero o teu amor! Quero senti-lo nas tuas acções, nas tuas palavras… Quero que me agarres pelos braços e me encostes à parede e me beijes. Quero senti-lo… quero sentir o teu amor em cada pedaço teu que é meu. O destino é cruel e o que existe hoje, poderá não existir mais amanhã. Não deixes para amanhã o que podes sentir hoje. Hoje sou tua… e amanhã?
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